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ESTUDO: O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO

Dízimo: Lei ou Graça? Muitas pessoas ainda nutrem essa dúvida angustiosa em seus corações. Medite nesse texto elucidativo sobre o dízimo no novo testamento.

Dízimo no novo testamento

             Dízimo no novo testamento

É interessante notar o seguinte paradoxo: os sacerdotes do Cristianismo dão grande ênfase à prática do dízimo, ao passo que o dízimo no novo testamento não está com essa bola toda. Se o antigo testamento não estivesse na bíblia, tais sacerdotes ficariam em uma “saia justa” para achar argumentos bíblicos que sustentem essa prática, principalmente do jeito que ela é ensinada ao povo. Eu sei que muitas pessoas ainda nutrem dúvidas acerca do dízimo; se ele é da lei ou é da Graça. Todavia, através do Evangelho, eu esclarecerei essa questão.  O novo testamento – hora nenhuma – insinua ou ordena a prática do dízimo para nós, gentios; na verdade, para os gentios, nem o antigo ordena. Nós podemos encontrar a ordenança da entrega dos dízimos em duas (2) passagens antes da Lei de Moises (com Abrão e Jacó) e em diversas passagens no período de vigência da lei de Moises. Nos textos do período da Lei de Moises, Deus dá ordens de natureza comportamental e social-financeira, a fim de que a nação de Israel vivesse socialmente da melhor forma possível (a nação de Israel vivia em uma teocracia). O dízimo no novo testamento aparece apenas em quatro (4) passagens, e nós vamos, através desse estudo, analisar cada uma delas. A primeira passagem que eu quero analisar junto com você sobre o dízimo no novo testamento é o famoso versículo que se encontra em Mateus 23:23. Veja:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.”

Essa mesma fala de Jesus aparece de forma parecida em Lc 11:42. Note que Cristo repreendeu e chamou os fariseus e os escribas de hipócritas; pois, externamente, eles faziam o que a Lei mandava eles fazerem (entregar os dízimos), mas, interiormente, eles eram ocos das coisas mais importantes da Lei: o juízo, a misericórdia e a fé. O dizimar precisava ser uma extensão do juízo, da misericórdia e da fé que, supostamente, residia no coração dos israelitas. Segundo Cristo, de nada adiantava cumprir esse mandamento, e não ter essas graças de Deus no íntimo. No caso do dízimo, essa prática estava diretamente ligada à misericórdia; pois ela tinha, em essência, um único fim: ajudar aquele que precisava! Note nessa passagem, também, que Cristo estava falando com Fariseus e Escribas – pessoas que estavam debaixo da Lei de Moises. Portanto, Ele estava falando com as pessoas certas! A Lei foi direcionada para os pais deles. Naquele tempo, a Lei ainda estava em vigência, pois Cristo ainda não tinha morrido e ressuscitado, e o templo de Jerusalém ainda estava erguido e em plena operação. Perceba que a Lei era a aplicação prática e visível dos princípios eternos de Deus (esses princípios precisavam estar instalados no coração do povo) com o intuito de ordenar aquela sociedade israelita. Como acabamos de constatar, não há ordem de Cristo para que os gentios dizimem nesse texto. Vamos analisar o terceiro texto que aparece o dízimo no novo testamento:

Lucas 18:12: “Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.”

Bem, Jesus, nesta passagem, está ensinando a parábola acerca do fariseu e do cobrador de impostos. Antes de a parábola iniciar, o texto é claro em afirmar que Jesus estava falando para alguns que confiavam na própria justiça e desprezavam os outros, confira: “A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola:” Lucas 18:9. Jesus aqui faz um paralelo entre um fariseu (um religioso) e um publicano (um cobrador de impostos). Os fariseus eram vistos como santos aos olhos do povo, ao passo que os cobradores de impostos eram uma classe desprezada daquela sociedade. Jesus conta que os dois (2) estavam orando a Deus. O fariseu, com aparente piedade e confiando em sua própria justiça, disse que “jejuava duas (2) vezes por semana” e que “dava o dízimo de tudo quanto ganhava”, ao passo que o publicano somente reconheceu que era pecador e pediu perdão a Deus. Para a surpresa de seus ouvintes, Jesus disse que quem saiu perdoado foi o publicano, e não o fariseu. De fato, no pensamento da Religião, não basta somente reconhecer os pecados, se arrepender e pedir perdão para ser justificado diante de Deus – pois, para ela, é necessário apetrechos auto-justificantes; como os jejuns e dízimos que eram praticados pelos fariseus. Note que a prática do dízimo era correta, vigente e obrigatória para a sociedade  teocrática de Israel daquela época; entretanto, o significado misericordioso e de justiça a quem precisava do dízimo, já havia se corrompido no coração dos israelitas há muito tempo. Em lugar da singeleza e da alegria em contribuir, já havia entrado a disposição mental de confiança na justiça própria; e, no exemplo do versículo que acabamos de ver, essa auto-justificação foi expressada através dos jejuns e dos dízimos. Hoje, devido a séculos de vários ensinamentos e insinuações distorcidas sobre o significado do dízimo, o quadro da igreja é pior do que o dos fariseus daquela época; pois, a igreja atual,  além de ter ficado tomada de justiça própria, também ficou adoecida de medo paranoico do “devorador” e acometida de uma espécie de “legalismo-dizimal”. Muitos usam o dízimo como uma moeda de troca divina, ainda que inconscientemente. O sentimento de culpa e a má consciência, proveniente de uma sensação de “falta” para com Deus, também são outros dois (2) graves sintomas que aparecem em muitos irmãos sinceros, vítimas dessa doutrina humana e opressora. Vamos a análise do quarto e último texto sobre o dízimo no novo testamento:

Hebreus 7:1-10: “1 Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; 2 A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; 3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. 4 Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. 5 E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. 6 Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. 7 Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. 8 E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive. 9 E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos. 10 Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro.”

Perceba que, apesar de o dízimo aparecer no texto acima, definitivamente ele não é o assunto do autor da carta. O objetivo do autor desse texto era exortar os hebreus a não voltarem mais para a Lei de Moises. No caso, o dízimo de Abraão foi usado apenas para mostrar que o sacerdócio de Melquisedeque (esse sacerdócio representa o sacerdócio de Cristo que estava por vir) é maior que o sacerdócio levítico (o sacerdócio da Lei de Moises). Esse texto não está mandando os filhos da Graça de Deus dizimarem; todavia, se assim fosse, então deveríamos fazer igual a Abraão: dar um único dízimo dos despojos da guerra! Essa prática, para muitos de nós, que somos civis e vivemos no século 21, seria um feito impraticável. Realmente o texto não está pedindo para darmos o dízimo todo mês em um templo local; Ele possui significados maiores que isso.

Hoje não vivemos em uma sociedade teocrática, a Lei (normas sociais práticas dada por Deus a Moises e entregue à sociedade de Israel) não está mais vigente, o Templo de Jerusalém (símbolo máximo da Lei de Moises) não está mais de pé e a classe sacerdotal dos levitas (que eram os únicos, permitidos por Deus, a receber parte dos dízimos entregues pelas outras tribos; o restante era destinado aos necessitados, aos preparativos das festas judaicas e para a manutenção do Templo) também não existe mais. Somente o que sobrou foi aquele que anuncia o Evangelho, os necessitados, e a Igreja; que é feita de carne e osso e está espalha nos quatro cantos da terra. Para mim, remontar todo o cenário religioso do Israel antigo dentro de um templo do Cristianismo, e ainda ficar anunciando, repetidamente, esse mandamento judaico a fim de que o povo dizime todo mês, é, no mínimo, manipulação e exploração da fé. Além de ser também algo chato e constrangedor para o povo. Ora, se fosse para remontar o cenário dizimal do Israel antigo, então que remontassem direito. Pois, muitos se esqueceram de repartir os dízimos com os órfãos, com os sem-teto e com as viúvas. Outros tantos enriqueceram, ao contrário dos pobres sacerdotes levitas, os quais recebiam os dízimos para os seus sustentos, pois eles trabalhavam em prol das outras tribos.  Todavia, as aplicações sociais-circunstanciais-históricas da Lei não estão mais em vigor – pelo menos não conforme o modelo dado a Israel daquela época. Nós nascemos no tempo da Lei da Graça; e, como eu já havia dito antes, os gentios nunca estiveram sob a Lei de Moises, nem no tempo em que ela estava em vigor. O que sobrou da Lei foram os princípios dela, os quais foram revelados com total clareza em Cristo e em todo o novo testamento. É por esses princípios que o nosso senso de aplicação da Lei da Graça é guiado. Cenários sociais-circunstanciais-históricos  e as suas devidas demandas de boas aplicações  vêm e vão; todavia, a consciência que o Evangelho gera em nós nos faz termos paz, lucidez e sabedoria  para que possamos fazer as aplicações sociais da Graça de Deus em toda e em qualquer situação em que a vida nos demandar, e a qualquer tempo. Devemos tomar como exemplo a relacionalidade que havia entre os irmãos da Igreja primitiva – na qual os Apóstolos não cobravam dízimos de ninguém. Não existia uma filiação de membros. O que existiam eram irmãos com amor fraternal uns pelos outros, que não colocavam fardos pesados nos ombros uns dos outros, e que se ajudavam mutuamente, conforme a necessidade de cada um.  Definitivamente, o modelo atual da prática do dízimo não condiz com o modelo do antigo testamento; e, muito menos, com o espírito de contribuição presente na nova aliança. O Apóstolo Paulo ressignificou o significado do “dízimo” em 2 Coríntios cap. 9 . Na verdade, não só ele, mas o mesmo espírito de contribuição fraternal está presente em todo o novo testamento. Desse texto, e de outros da Igreja primitiva, eu extraí e resumi, com minhas palavras, o seguinte modus operandi do ofertar na Graça de Deus, confira:

O SEU VERDADEIRO DÍZIMO É A DOAÇÃO DA SUA VIDA ÀS BOAS CAUSAS DESTA EXISTÊNCIA.

Na Graça de Cristo não existe estipulação de valores, forçação de barra, sacrifícios financeiros, trocas com Deus, datas marcadas para contribuir, um sacerdote oficial para receber ou campanhas arrematadas com uma oferta especial. O que existe, na Graça de Deus, é a doação da nossa vida, em liberdade, às boas causas desta existência; enquanto nós caminhamos e somos moldados à pessoa de Cristo. Tudo feito de boa consciência, em sinceridade e em compaixão, conforme as nossas possibilidades temporais-circunstanciais, e conforme as prioridades das coisas que nos são demandadas.

O modus operandi no novo testamento era repartir: “Repartiam entre si e tinham tudo em comum”, como está escrito em Atos. Isso é o oposto do sistema dizimal do Cristianismo, no qual quem lucra é somente o sacerdote; enquanto uns passam por necessidade e outros, até fome. Sabe porque existe tanta injustiça social no mundo? É justamente por causa disso! A igreja era para ser uma comunidade justa, pelo menos entre si. Mas nem isso é. Os sacerdotes transferem para Deus a responsabilidade de suprir os irmãos necessitados, só que essa responsabilidade Deus deu para a Igreja, como está escrito em Mateus 25: 31-46. Sim, meu irmão e minha irmã, é tempo de você ressignificar o significado do dízimo em sua consciência, segundo o novo pacto.

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Bruno Monsores é Escritor, Evangelista e Idealizador do site de ensino do Evangelho Crendo como diz a Escritura (CCDAE), pelo qual ensina e anuncia o Evangelho da Graça de Deus.

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4 Comentários

  1. Avatar Aryane Rodrigues disse:

    Qual a diferença entre obras da carne e pecado

    • Olá Aryane, Graça e Paz. Olha! Não tem diferença. As obras da carne são pecados. Estão descritas em Galatas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem;
      idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções
      e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes.

  2. Avatar Antonia disse:

    Mas, e quanto a passagem que a viúva entrega as moedas e Jesus afirma que ela deu mais que todos? Em Lucas 21.

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